Cobrar apenas pelo peso do filamento parece simples, mas dificilmente mostra quanto uma impressão 3D realmente custa. Uma precificação confiável considera o uso da máquina, a energia, o trabalho envolvido, as despesas do negócio, as falhas e os percentuais descontados da venda.
1. Comece pelos dados do fatiador
Antes de calcular o preço, reúna as informações do lote completo: quantidade de peças, peso total previsto e tempo total de impressão. Se duas peças são produzidas juntas, utilize os valores do conjunto e divida o preço final pela quantidade somente no encerramento do orçamento.
Considere um pedido com duas peças, 200 g de material e oito horas de impressão. Esses números servirão como base para todos os demais cálculos.
2. Calcule o filamento e o desperdício previsto
O primeiro passo é descobrir quanto custa cada grama do material. Para um rolo de 1.000 g comprado por R$ 120,00, o custo unitário é R$ 0,12 por grama.
O fator 1,10 representa uma reserva de 10% para perdas previsíveis, como purga, testes, saias e pequenas sobras. O valor do carretel vazio não deve ser confundido com o peso líquido do filamento.
3. Inclua a máquina e a energia
A impressora se desgasta a cada hora de funcionamento. Um custo de máquina de R$ 2,00 por hora gera R$ 16,00 em uma produção de oito horas. Esse valor pode representar depreciação, manutenção e reposição de componentes.
Para a energia, converta a potência média de watts para quilowatts e multiplique pelo tempo e pela tarifa. Com consumo médio de 150 W e tarifa de R$ 1,10 por kWh:
4. Reserve uma parcela para falhas de impressão
Falhas não acontecem em todos os pedidos, mas precisam ser absorvidas pela operação ao longo do tempo. Aplique a reserva sobre os custos diretamente ligados à impressão: material, máquina e energia.
Nesse exemplo, uma taxa de falha de 10% acrescenta aproximadamente R$ 4,86 à produção. Dividir por 0,90 é mais adequado do que simplesmente adicionar 10%, porque o objetivo é compensar pedidos que precisem ser refeitos.
5. Some mão de obra, despesas fixas e outros itens
O tempo de impressão não corresponde necessariamente ao tempo de trabalho ativo. Se você passa 30 minutos preparando, retirando, acabando e embalando a peça, e sua hora de trabalho vale R$ 30,00, a mão de obra custa R$ 15,00.
Despesas fixas também precisam ser distribuídas pelos pedidos. Um negócio com R$ 600,00 mensais em despesas e 200 horas produtivas apresenta um custo fixo de R$ 3,00 por hora. Em oito horas de impressão, o rateio corresponde a R$ 24,00.
Acrescente ainda os componentes específicos do pedido. Se embalagem e acessórios custam R$ 6,00, o orçamento fica assim:
| Componente | Valor aproximado |
|---|---|
| Produção com reserva para falhas | R$ 48,58 |
| Mão de obra ativa | R$ 15,00 |
| Rateio dos custos fixos | R$ 24,00 |
| Embalagem e outros itens | R$ 6,00 |
| Custo total do lote | R$ 93,58 |
6. Transforme o custo em preço de venda
Taxas de pagamento, impostos e margem de lucro são percentuais que incidem sobre o preço final. Portanto, eles não devem ser simplesmente somados ao custo como se tivessem a mesma base de cálculo.
Com 5% de taxa de pagamento, 6% de impostos e 30% de margem desejada, o preço ideal aproximado é:
Arredondando para o próximo real, o lote pode ser vendido por R$ 159,00, ou R$ 79,50 por peça. O arredondamento é aplicado para cima, preservando a margem planejada.
Use o cálculo como uma decisão de negócio
Um preço matematicamente correto é o ponto de partida, não o único critério. Complexidade, urgência, acabamento, exclusividade, posicionamento e valor percebido também influenciam a proposta comercial. O importante é conhecer o custo e a margem antes de conceder descontos ou aceitar um pedido.
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